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Quinta-feira, 06 de Março de 2008
    Peço-te que me deixes balbuciar à vontade todas as minhas hesitações; não obstante de não estar certo acerca de mim mesmo, os meus pensamentos envolventes também me escapam. Já não há uma parede, nem sequer um amontoado de pedras que se possa dizer firme. Não tenho onde me segurar, porque em mim perdi todas as certezas. Não as procuro dentro de mim, porque sou de acreditar que há muito cá dentro, muito mais do que aquilo que já conheço - levaria meses a aceitar que não conseguiria.
    Peço-te que sejas o meu Muro das Lamentações, nem que seja só por hoje; e se for só por hoje, amanhã sê a minha bengala para caminhar, ou sê o meu mapa para fugir desta floresta urbana: e quando me deparar com a parede do declive, sê a minha corda para a trepar. Se não for suficiente este humilde pedido, gracejo-te - Muro, bengala, guia e corda - com as mais doces e efémeras palavras de gratidão, amizade e, quiçá, saudade, pois nada supera o desejo deixado pelos flashes mais momentâneos e espontâneos. A efemeridade é, de certo modo, incrível.
    Já sabes o que vivo de ti, pressupondo que não sou nem demasiado jovem para não pensar, nem demasiado velho para não viver, e sabes que vivo à custa das pequenas palavras de graça que me dás desde há dias. Antes de me deixares - não que admire tanto a efemeridade, pelo simples haver de certas coisas que desejamos mesmo que fiquem eternamente, não obstante da força com que queremos - atribui-me algo meu, mas deixa-me descobrir o resto de mim. Mas dá-me uma pista, e faz de meu mapa outra vez. Não quero saber se dizes bem ou mal, mas deixa-me ler mais uma palavra.



Paulo Zhan
publicado por Paulo Zhan às 00:49
sinto-me: Guided by the Star