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Quinta-feira, 03 de Abril de 2008
    Eu perdi algo naquela noite. Ou então não perdi, mas a partir desse dia fui perdendo. Fui perdendo bocados de ti, mas o seu começo foi demasiado forte para ter feito um efeito degradê. Ressenti-me logo na altura, e fui me ressentindo cada vez mais a partir daí. Não percebo se são bocados de ti que tenho andado a perder, ou se andava tão obcecado com a imagem perfeita que tinha à frente, que me fez decidir não amar mais nada, e agora surge a trágica verdade de que o puzzle não estava completo, e aparecem outros bocados de ti.
    Há um conto popular na China, que diz que uma vez, num jantar, alguns amigos bebiam aguardente. Sobrou no fim do jantar, uma porção de aguardente demasiado insignificante para ser dividida, e então decidiram dá-lo como prémio a alguém que vencesse um concurso de desenho. Decidiram que ganhava quem fosse o mais rápido a desenhar uma cobra, e mal dito isto, os amigos começaram a desenhar. Um destes indivíduos desenhava tão depressa, que ainda os outros começavam e já este tinha acabado. Sem nada mais que fazer, enquanto esperava pelos amigos, decidiu acrescentar pernas à sua cobra. Quando todos terminaram, ele reclama o prémio dizendo que foi o mais rápido a acabar de desenhar a cobra; os outros amigos manifestaram-se, e disseram-lhe que ele tinha perdido, pois acrescentou pernas à cobra e a cobra não tinha pernas. Mas a cobra era perfeita.
    Enquanto faço esta estúpida analogia, penso também no provérbio que diz que no melhor pano cai a nódoa, e não consigo deixar de pensar nas semelhanças do provérbio com o meu dilema. Mas o meu dilema é pior: concluo que não há forma de lavar esta nódoa. Ficará para sempre aqui esta mancha, por isso eu estou impossibilitado de esquecer. Para te enfrentar, eu sofro de um terrível medo: bem me deixaste bem claro que o melhor era não o fazer.
    Caí nesta desgraçada situação, um beco sem saída com labaredas que me desafiam a coragem. Metem à prova o amor que nutro por ti, mas não sou nada corajoso. Apesar de desta vez ser diferente, por já ter perdido para estas malhas um amigo anteriormente, por já ter deixado sucumbir uma pessoa por quem nutria um carinho especial, por esta pessoa ter saído da minha consideração sem ter de ser assim, eu continuo sem saber o que fazer. Não me quero continuar a torturar com estes pensamentos, estas imagens e estas frases que ouço com a minha própria voz; também não te quero perder, amiga, sabendo que corro esse risco se me quiser ver livre dos meus próprios demónios. Mas sinto que já desvaneces de qualquer forma.


Se alguma coisa mudar, que nunca te esqueças do quanto te amei.
publicado por Paulo Zhan às 19:14

subscrevo.

um abraço do fundo do coração amigo Zhan, deste amigo que te compreende e, como tu dizes, de uma das poucas pessoas que não consegues perrceber.

Até já amigo.
Fábio a 5 de Abril de 2008 às 02:22