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Quarta-feira, 02 de Janeiro de 2008

Poderia olhar pasmado durante uma eternidade para aquela poça cheia de pequenas gotículas de chuva. Poderia pensar que aquela situação que vivia era apenas a continuação de uma narrativa, mas não era. Era, só por si, uma narrativa com todo o interesse que poderia ter. Porque não me deixar guiar pelas sensações, de modo que me sinta desperto? Os simples e miúdos fios de água que se desfaziam contra a minha carne transmitiam-me uma sensação de outro mundo. Era banal, mas não poderia deixar de ser diferente. Era boa.

Porquê viver esta alegria se não estiver por perto ninguém que veja que a vivemos? Melhor ainda do que ter comigo uma mera testemunha é ter alguém com quem partilhar estes momentos boémios, que eu considero únicos. É como mostrar uma parte de mim, mostrar os meus interesses toscos e sem interesse. É como mostrar carinho por coisas que não o merecem, e isso é já diferente. Vês como isto é bom? É tão bom como olhar para as estrelas ou ter a tua cabeça encostada ao meu peito. Vês como sou diferente e sensível?

A poça continua no seu lugar, salpicada de mais gotas de chuva que se juntam à grande massa de água. E à medida que estes salpicos se tornam maiores, também a grande molha que nos vai ser infligida se torna iminentemente inevitável. Os fios de água que dantes eram agradáveis tornaram-se grossos, mas não tenho medo, e permanecemos à chuva como se nos lavasse os erros.

publicado por Paulo Zhan às 23:53

Amigo. Percebo-te tão bem. Essas palavras exprimem também o que passa aqui dentro da minha cabecinha... Estou a aprender a lidar com as sensações e com as emoções. Não podemos pensar que só vamos ser felizes quando estivermos com alguem, com quem partilhar todos os momentos. Claro que é isso que acontece. É inevitável. Mas não devia ser assim. Assim sofremos. Muito. Dói. Acima de tudo devemos ser felizes. Tentar ser felizes, primeiro, connosco próprios. Claro que isto é tudo uma grande bola de neve...

A chuva lava. Vamos acreditar que sim.

Até já amigo.
Abraço
Fábio a 3 de Janeiro de 2008 às 10:58